Aviso que deve parar uma, aviso duas e à terceira informo que se volta a acontecer vou guardar ambos os carrinhos. Dois segundos depois estão os dois a chorar sem os carros (sim, aqui ele foi penalizado sem ter culpa mas um minuto depois estava distraído com outro brinquedo e a birra da pirralha estava a começar).*
Foi para o quarto e sentou-se na cama a chorar (sempre num ângulo em que me conseguia ver na sala). Atirou com tudo o que encontrou para o chão (roupas, pijamas, almofadas, tudo espalhado no meio do quarto). Disse-lhe que precisava de um abraço na tentativa de a acalmar mas ignorou-me. Deixei-a à vontade mas informei que depois teria de arrumar tudo o que estava no chão.
Servi o jantar e informei de que podia vir comer. Ela não veio e comi eu - funciono muito mal quando tenho fome e sei que a paciência seria nula e isso é mais um dos princípios da parentalidade positiva, se nós não estamos bem dificilmente poderemos dar o nosso melhor aos filhos.
Aborreceu-se de estar a chorar sozinha no quarto e veio chorar acompanhada para a sala...
Acabei de jantar e disse-lhe que o jantar dela já estava há imenso tempo na mesa e que como não comia ia levá-lo para a cozinha. Tive de repetir umas três vezes (porque não queria mesmo que ficasse sem jantar) e lá disse que sim que comia. Veio para a mesa e comeu sozinha (muitas vezes começa a comer sozinha e depois distraída reclama por ajuda e nós queremos que ela coma e ajudamos). Quando não quis mais levantei o prato e enquanto tratava da fruta pedi que fosse arrumar o quarto. Disse que sim mas que queria ajuda. Expliquei que demorou tão pouco tempo a atirar tudo para o chão que o contrário também seria muito rápido. E foi.
Não chorou mais nem menos que noutras birras que fizemos mas a resolução desta teve claramente contornos diferentes. Responsabilizar sem acusar, 'passar a bola' para o lado dela é fundamental.
Li o primeiro capítulo do livro e pouco mais. Sei que ter os meus filhos nos braços foi o suficiente para fazer de mim Mãe. Mas ao mesmo tempo algo me diz que posso fazer melhor e os conceitos aplicados e desenvolvidos pelos autores destes livros são uma ajuda preciosa.
Os nossos filhos não são perfeitos, nem são adultos em miniatura que devem reagir como achamos adequado. São seres que estão a desenvolver-se e a absorver tudo o que lhes damos. Que precisam de regras e rotinas para terem equilíbrio. Se regares uma planta ela fica viçosa. Se não regares sabes o que vais encontrar.
Não sei se usei a disciplina positiva em todos os passos. Ainda não tenho os conceitos bem definidos, mas sei que disciplina positiva não é igual a permissividade. O que fiz foi lembrar-me sempre que antes do comportamento melhorar tem tendência para piorar (porque estamos a mudar a nossa resposta e as crianças podem demorar um pouco a perceber que não vão obter de nós as mesmas reacções ); que não devo dizer nada que sugira castigo ou que ainda a faça sentir pior do que já está e que devo dar-lhe alternativas, para que se responsabilize pelo que está a acontecer. Equilibrar Gentileza com Firmeza diz a Magda e eu acho que isso é a chave para resolver as birras que desconfio continuarão a acontecer lá por casa...









