A minha pequena tem uma faceta muito dramática. Já o tinha dito aqui. Normalmente essa veia aparece o fim do dia, no regresso a casa, quando ela está mais cansada. Por norma sou eu que estou com ela. Quando o pai apanha esses dramas fica desesperado, super deprimido sem saber o que fazer. Ela chora, aquilo vem-lhe da alma e ele não consegue separar o que é o drama causado pelo cansaço. Queixa-se dos amiguinhos, exagera algumas situações mas completamente convicta que tem toda a razão e o mundo é injusto com ela.
Ontem foi mais um dia desses. A maior parte do caminho eu tive de conter o riso* porque ela quando está assim diz coisas e usa expressões tão engraçadas que para mim são pérolas. Ontem o episódio foi avançando, que a amiga diz que já não vai ser mais amiga dela, que a obriga a brincar e que ela já cometeu um grande erro ao perdoa-la tantas vezes (esta foi uma das que me fez rir). Que se ela é amiga verdadeira não pode dizer essas coisas porque 'ela fica com o coração partido'. Esta não me fez rir, trouxe-me as lágrimas aos olhos… depois continuou, lembrou-se do avô, de como tinha saudades dele, das coisas que fazia com ele, da culpa que sente por às vezes não gostar dele e querer antes ir com a avó, de não perceber que ele ia morrer… bem, foi desolador. Confortei o melhor que soube, dei espaço para chorar, colinho (estacionamos e ficámos no carro a conversar), contei-lhe do que me lembro do meu avô que morreu quando eu tinha a idade dela, de como ficam as boas memórias e que de cada vez que pensamos neles eles estão presentes na nossa vida.
Fomos para casa e fui tentando tirá-la daquele estado. Só uma história sobre o irmão a conseguiu animar. Logo de seguida ele chegou e as coisas voltaram ao normal. Não é fácil ver os nossos filhos a sofrer mas às vezes faz parte. Ainda não fez um ano desde a morte do avô e ela raramente fala sobre isso. E eu sei que está lá. Tento sempre que ela perceba que é uma coisa triste mas natural e que devemos falar sobre isso sempre que precisemos.
* Nunca desvalorizo os desabafos dela nem a deixo perceber quando as coisas me fazem rir. Não estou a rir do que a faz ficar triste, fico impressionada com a forma como exterioriza algumas coisas de forma tão emocional e coerente. Se todos os adultos fossem assim as coisas eram mais simples.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Youtubices
O youtube está a transformar o meu filho em luso-brasileiro.
Nas últimas semanas trocou a loucura dos vídeos de carros e corridas pela Porquinha Peppa.
Como há muitos vídeos em português do brasil agora ouvimos disto com sotaque português de portugal:
Mamãe, posso comer cereais?
Puxa vida, ainda bem que a porta está aberta…
Ohhh estraguei o carro… mas o papai pode consertar…
Você pode ir comigo procurar colunas? Você é uma senhora e eu sou o papai… (o meu filho adora ver as colunas de som, os alarmes de incêndio, as câmaras de vigilância)…
E está sempre a usar os verbos no gerúndio. Está chovendo… estou falando… estou consertando…
E por ai fora… isto assim nem tem muita piada mas ouvir estas coisas dele arranca-me sempre uma gargalhada <3
Nas últimas semanas trocou a loucura dos vídeos de carros e corridas pela Porquinha Peppa.
Como há muitos vídeos em português do brasil agora ouvimos disto com sotaque português de portugal:
Mamãe, posso comer cereais?
Puxa vida, ainda bem que a porta está aberta…
Ohhh estraguei o carro… mas o papai pode consertar…
Você pode ir comigo procurar colunas? Você é uma senhora e eu sou o papai… (o meu filho adora ver as colunas de som, os alarmes de incêndio, as câmaras de vigilância)…
E está sempre a usar os verbos no gerúndio. Está chovendo… estou falando… estou consertando…
E por ai fora… isto assim nem tem muita piada mas ouvir estas coisas dele arranca-me sempre uma gargalhada <3
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Limpar a cabeça
Gazeta ao trabalho para ficar a organizar a casa e ter tempo livre no fim de semana.
Gosto destes dias de primavera quando se podem abrir as janelas, deixar entrar o ar fresco e as moscas, deixar sair o pó (não gosto nada de limpar em dias de chuva), por coisas a apanhar sol (daqui a bocado espero estar no lugar das coisas)...
A minha varanda cheia de tudo e o terraço ali ao lado está igual. Lista e listas para não me esquecer de nada. Olhos nos emails do trabalho. Roupa, montanhas de roupa para dobrar/passar/estender (neste momento estão os fatos de carnaval que aqui se usam o ano todo na máquina). Almoço de café com leite e pão de ló com requeijão porque me esqueci de fazer almoço. E os olhos nas agulhas que com esta azafama toda vou ter tempo de lhes pegar amanhã ou depois…
Gosto MESMO destes dias.
Bom fim de semana!
segunda-feira, 28 de março de 2016
#diasperfeitos
Olhar com o coração.
E descobrir que a felicidade está em todo o lado…
#serfeliz #saberoqueimporta #afelicidadenãoseprocura
terça-feira, 22 de março de 2016
Vários
Instalação artística a cargo do meu filho...
O mesmo artista à espera da confirmação da sua otite nº 1318...
O artista a ser empurrado pela irmã...
E votos de uma Páscoa docinha para todos!
segunda-feira, 14 de março de 2016
Arestas por limar
Como isto não resultou:
Tivemos de comprar uma máquina nova… a bichinha chegou a meio da semana e ficou lá pela sala sem sair da sua caixa. O pequeno andava em pulgas para abrir a caixa e descobrir o que estava lá dentro. No Sábado foi o dia. Ele e o pai cortam o plástico, tiraram o cartão e esferovite e o meu pirralho começa a gritar pela casa:
- Mãe!!! Mãe!!!! É para ti!!!!
concordam que há arestas por limar nesta coisa das tarefas domésticas = mãe não concordam?
Colocada a roupa a lavar (yeaaahh vivaaaa finalmente deixamos a avó em paz mas vou ter saudades de ver a roupa a voltar para casa já passadinha a ferro) fomos para a rua. Fim de semana de sol e calor, de corridas, de bicicleta, trotinete, passear no mato como a pequena diz, fazer arranjos de flores com alecrim, alfazema e deixar a casa cheirosa...
terça-feira, 8 de março de 2016
Recados
Eu ralho.
Eu barafusto.
Eu enervo-me quando eles não se despacham e eu vejo os minutos a passarem à velocidade da luz.
Não sou uma mãe perfeita (longe disso) mas contrario muitas vezes o que descrevi acima porque tenho noção que o presente, estas rotinas às vezes loucas, são a infância que os meus filhos vão recordar e quero que o façam com o coração cheio de amor. E eu também não quero ver os meus filhos crescidos e pensar que eu devia ter feito diferente.
Ontem escrevi um bilhete e coloquei na lancheira da minha filhota. Quando a fui buscar ao ATL lá estava o bilhete na carteira dos lápis à vista dos olhinhos dela…
Fui recebida com um: óhhhh mãe adorei… os meus amigos disseram 'óhhh que querido…', sabes mãe, eu acho que eles não são tratados assim com tanto amor como eu… os pais deles não sabem ser assim como tu...
Eu sei que ela não tem razão. Que os outros pais amam os filhos até ao infinito e o demonstram da melhor maneira que sabem… mas fico feliz por a minha se sentir assim cuidada, acarinhada e especial. Que saiba sempre que o meu amor por eles é incondicional, infinito, protetor e presente, o meu amor é dado hoje, no agora e não em forma de muito trabalho para um dia lhes dar tudo o que eles merecem, não em forma de rigidez porque um dia eles me vão agradecer tê-los preparado para a crueza da vida, não em forma de mais um jogo porque não tenho tempo para brincar com eles agora.
Acho que é por isso que eles me perdoam quando ralho, barafusto e me enervo. Porque eles sabem que não tem uma mãe perfeita mas sabem que a mãe faz o mais perfeito que consegue.
Eu barafusto.
Eu enervo-me quando eles não se despacham e eu vejo os minutos a passarem à velocidade da luz.
Não sou uma mãe perfeita (longe disso) mas contrario muitas vezes o que descrevi acima porque tenho noção que o presente, estas rotinas às vezes loucas, são a infância que os meus filhos vão recordar e quero que o façam com o coração cheio de amor. E eu também não quero ver os meus filhos crescidos e pensar que eu devia ter feito diferente.
Ontem escrevi um bilhete e coloquei na lancheira da minha filhota. Quando a fui buscar ao ATL lá estava o bilhete na carteira dos lápis à vista dos olhinhos dela…
Fui recebida com um: óhhhh mãe adorei… os meus amigos disseram 'óhhh que querido…', sabes mãe, eu acho que eles não são tratados assim com tanto amor como eu… os pais deles não sabem ser assim como tu...
Eu sei que ela não tem razão. Que os outros pais amam os filhos até ao infinito e o demonstram da melhor maneira que sabem… mas fico feliz por a minha se sentir assim cuidada, acarinhada e especial. Que saiba sempre que o meu amor por eles é incondicional, infinito, protetor e presente, o meu amor é dado hoje, no agora e não em forma de muito trabalho para um dia lhes dar tudo o que eles merecem, não em forma de rigidez porque um dia eles me vão agradecer tê-los preparado para a crueza da vida, não em forma de mais um jogo porque não tenho tempo para brincar com eles agora.
Acho que é por isso que eles me perdoam quando ralho, barafusto e me enervo. Porque eles sabem que não tem uma mãe perfeita mas sabem que a mãe faz o mais perfeito que consegue.
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